FAMÍLIA TERAPÊUTICA
A família
foi constituída para proteger
seus membros, oferecendo conforto, acolhimento e bem estar necessário
para desfrutar de uma vida pujante e triunfante. O ambiente familiar deve ser
por natureza um ambiente saudável que promova a qualidade
de vida. Veremos alguns pilares para alcançarmos
tal objetivo.
Uma família
terapêutica tem o amor como base de tudo –
No capítulo
13 de Coríntios, o Apóstolo
Paulo anuncia a superioridade do amor. Numa olimpíada
entre a fé, esperança
e o amor, o amor mostrou-se superior. A família
que consegue implantar o amor como lei suprema de convivência
entre seus membros, terá bons resultados,
desfrutando do mais alto nível de maturidade e
frutos de excelência. Mas acima de
tudo, terá solidez em tempos hostis
e truculentos obtendo segurança e proteção
para seus membros.
Uma família
terapêutica sabe a importância
do perdão - o
ser humano tem a tendência de tentar
provar sua perfeição. Uma mente
perfeccionista não admite erros
pessoais e alheios, pois diante da menor fagulha de imperfeição
lança sobre si, profunda carga de culpa,
cobrança e remorso pelo
resultado não alcançado.
A solução para esta conduta
doentia é primeiramente
aceitar que somos seres inacabados rumo a um estado de perfeição.
E segundo, que neste itinerário terreno teremos
que conviver com seres imperfeitos e o melhor remédio
é desfrutar do perdão
bilateral. O perdão é
sinônimo da segunda chance; é
a possibilidade de recomeçar; é
a capacidade de seguir adiante sem olhar para trás;
é liberar o outro da duplicata que nos
devia; é a maior expressão
da compreensão da graça
de Jesus Cristo. A família terapêutica
não se alimenta de acusações,
de críticas, de justiças
humanas ou desprezo e indiferença, mas consciente de
seu papel curador, lança mão
do bálsamo do perdão,
em busca de estancar os amargores da rejeição
e feridas do ódio.
Uma família
terapêutica investe o que tem de melhor em
seus membros - num mundo materialista, de mente
capitalista, de comportamentos egoístas
e condutas de indiferença sentimental, onde
homens amam coisas e usam pessoas, o investimento é
monitorado por estatísticas financeiras e
de rentabilidade seguras e jamais, em solos duvidosos. Mas me pergunto, existe
um solo mais duvidoso que o ser humano? Só
uma família terapêutica
esta disposta a correr o risco de perder para tentar ganhar. Está
disposta a doar sem receber em troca, abrir-se para receber amor ou rejeição,
investir seus melhores recursos com a consciência
de que possui um grande tesouro criado por Deus nomeado família.
Uma família
terapêutica procura o bem comum, fugindo do
egoísmo- num
mundo capitalista selvagem e esportista, a competição
nasce de forma intrínseca em nossas
crianças e brota facilmente em corações
mais maduros. A busca da realização
pessoal tem levado muitos a prejudicar e até
matar seu próximo. A família
terapêutica não
pensa no eu, mas no nós. Não
é excludente, mas inclusiva. Não
aceita o individualismo, mas respeita a individualidade. Consciente das diferenças
individuais de cada ser, procura prover de maneira justa e equilibrada as
necessidades de todos. Deus através
do Apóstolo Paulo, em sua missiva a Roma,
deixa claro esta verdade quando afirma que “...para
com Deus, não há
acepção de pessoas”
(Rm 2.11).
Uma família
terapêutica não
faz provisão para o pecado –
aqueles que desejam alcançar a cura para
vossas almas não podem permanecer
na prática do pecado. E uma família
sadia, não consente, não
se omite nem se acovarda diante da possibilidade de santificar seus membros (Hb
12.5-10). Muitos pais pensam que ao dizer sempre sim, estarão
ajudando seus filhos, mas estão errados. O pai que
ama seu filho o corrige (Pv 3.12). Quem ama educa (Pv 22.6). Quem ama corre o
risco de ser mal compreendido a fim de ajudar. A correção
é dolorida, mas é
curadora (Hb 12.11).
Uma família
terapêutica é
conduzida pelo Espírito Santo –
a intervenção
do Espírito Santo é
indispensável no
fortalecimento das famílias cambaleantes.
Nossa luta não é
contra carne ou sangue, mas contra principados e potestades (Ef 6.12). E é
o Espírito que nos assiste em nossas
necessidades, intercede por nós e nos reveste de
autoridade para vencermos as batalhas contra o reino das trevas. Nós
recebemos o Espírito (Gl 3.2),
nascemos do Espírito (Gl 4.29),
andamos no Espírito (Gl 5.16),
produzimos frutos do Espírito (Gl 5. 22,23),
vivemos no Espírito (Gl 5.25). Famílias
terapêuticas são
aquelas que seus membros são agentes inspirados
para realizar a cura, repelindo os espíritos
de morte e profetizando vida.
Uma família
terapêutica trata com sensibilidade os que
tropeçam - o
apóstolo ordena: “Irmãos,
se alguém for surpreendido
nalguma falta, vós que sois
espirituais, corrigi-o com espírito de brandura”
(Tg 5.19). Precisamos lidar com tato, cuidado, amor e misericórdia
para com os que foram alvejados pelo pecado e surpreendidos pela fraqueza. A
brandura aplaca a ira. O amor supera o ódio.
A misericórdia revigora a alma
abatida. Ao invés de expormos os
ferimentos, temos a missão de sará-los
em amor. Sabendo que toda disciplina visa à
restauração do caído
não sua destruição
(Tg 5.20).
Uma família
terapêutica mantém-se
vigilante para não cair em tentação
– quem está
em pé, cuide para que não
caia (I Co 10.12). Devemos cuidar para não
cairmos nas mesmas tentações e pecados que nos
rodeiam. A presunção e a arrogância
são atitudes perigosas e adoecem o coração.
Temos a tendência de projetar
nossas falhas nos outros e acharmos que somos intocáveis. Uma
família terapêutica
valoriza cada membro, cada momento, cada dia em comunhão,
sem nunca descuidar do perigo eminente que nos ronda.
Deus que fundou a família,
constituiu o casamento e sabe da importância
dos mesmos para a sociedade e igreja. A família
deve ser a coluna, o baluarte, o porto seguro de seus membros, o socorro
presente, a porta aberta de saída, o braço
forte de abrigo, a brisa de consolo e o refúgio
para a alma ferida e cansada. Como família,
precisamos investir o que temos de melhor, para que nossos pares não
sofram, pois amar a família é
também expressão
de fé em amor (I Tm 5.8).
Créditos: Ivan Tadeu Panicio Junior - Mestrando em
Teologia, Pós-graduado em Docência do Ensino Superior, Pós-graduado em
Aconselhamento Pastoral, Graduado em Teologia, Docente em Instituições de
Ensino Superior, Ministro pela CIEADEP, Pastor de Jovens da AD Curitiba e
Diretor da Faculdade Crista de Curitiba.




