7 de janeiro de 2008

"RELAXE e GOZE’, um conselho sábio ou não?

“O editorial da Folha de São Paulo de 17 de junho de 2007 publicou um conselho dado por uma pessoa do alto escalão do governo, aos usuários de aeroportos, emitido durante uma cerimônia oficial a que não faltaram acidentes de percurso, o intempestivo conselho foi: “relaxe e goze”, dirigia-se a quem teme enfrentar o caos nos aeroportos do país. Com admirável rapidez, a pessoa pediu desculpas pela frase e o episódio terminou se esgotando na saraivada de tiradas humorísticas e gaiatices que inevitavelmente se prestava a estimular e que aparenta resumir a atitude do Estado brasileiro. Nesse "relaxe e goze" talvez existam, entretanto, significados mais profundos do que supunha a vã sexologia ministerial. O conceito resume, na verdade, o que há de mais autêntico na atitude dos políticos brasileiros diante das dificuldades da população. O Brasil convive com taxas haitianas de crescimento econômico: "relaxe e goze", poderiam afirmar as autoridades, enquanto as promessas do PAC não saem do papel. Registra-se uma crise sem precedentes na área da segurança pública: mas os planos oficiais que se seguem rotineiramente a cada convulsão nada mais parecem acrescentar a um cotidiano de barbárie exceto a mesma frase, que aqui se reveste de conotações sinistras: "relaxe e goze".
E assim por diante...
Que mundo vivemos? – mundo onde as pessoas deliberadamente não sentem mais o sofrimento das outras; período de total esfriamento frente as calamidades públicas, as epidemias, a dor do próximo. Parece que a revolução industrial conseguiu ir muito mais longe do que esperava, pois fabricou máquinas para os homens e hoje fabricar “homens máquinas”.
Vivemos nesta realidade cruel, neste mundo capitalista-selvagem. Conforme registra II Tm 3.1 “Sabe, porém, isto nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis”; a expressão “difíceis” (chalepos-gr) neste versículo, é também traduzida por duro, feroz, selvagem. Agora me pergunto, para quem é usado os adjetivos feroz e selvagem se não para animais irracionais. Animais que residem em matas fechadas, que não foram domesticados pela presença do ser humano. Assim como o Apóstolo Paulo estava ciente e inspirado por Deus escreveu este texto a mais de 2000 anos atrás, somando as demais evidências, podemos deduzir que estamos literalmente nos dias difíceis, ou seja, últimos.
Mas, e sobre o “relaxe e goze”, o que nos diz a bíblia? – Jesus certa vez expunha uma parábola, na qual dizia:
“E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância;
E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos.
E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;
E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga.
Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” Lc 12.16-20 (grifo meu)
Esta parábola de Jesus poderia ser pronunciada novamente na atual conjuntura que vivemos. Muitas pessoas estão fartas, cheias de tudo que precisam, pois correm atrás simplesmente dos seus próprios interesses, de nada tendo falta. Mas Cristo as repreende: “Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” – eu me pergunto neste momento, o que tenho para oferecer a Deus? – será que não estou sendo contaminado com a filosofia nacional dos governantes que nada mais sentem a não ser suas próprias necessidades? – acredito que é momento de despertarmos do sono que tão fortemente nos assola. Enquanto o Apostolo Paulo pregava (At 20.9), certo jovem por nome Êutico dormia numa janela e caiu vindo a falecer. O nome Êutico significa “prospero”, alguém que de nada aparentemente necessitava, mas havia se esquecido de sua alma, da vida pós-morte. Quando somos tomados pelo sono profundo da incredulidade, insensibilidade, consumismo, materialismo, pragmatismo, e tanto outro “sonos”, ficamos vulneráveis a cair. E como se não bastasse, podemos chegar a morte, morte espiritual. Poderia ainda citar a história da mulher no Antigo Testamento que dormia e no se virar, asfixiou sua criança, levando-a a morte. Logo após isso, rapidamente, trocou de criança com a companheira de quarto sem que a outra soubesse, projetando sentimentos de posse naquilo que não lhe pertencia. Isso também acontece com quem dorme. Acaba perdendo as bênçãos de Deus na sua vida, e vive o restante dela, desejando os bens dos outros, os cargos dos outros, as conquistas dos outros, os aplausos alheios. Cuidemos para que o “relaxe e goze”, não nos leve ao sono profundo do esfriamento espiritual, ao afastamento de Cristo e a perca da tão grande Salvação.
Para tal, não abracemos a filosofia do “relaxe e goze”, mas fiquemos com o conselho bíblico de Ef 5:14 “Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá”. Os cristãos possuem a mente de Cristo (I Co 2.16) e por este motivo são esclarecidos como menciona o versículo acima.
Descansemos sim, no Senhor... “aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará” (Sl 91.1). Gozemos sim, segundo Sl 119.11 “Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança para sempre, pois são o gozo do meu coração.
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