19 de março de 2008

Páscoa, significado e mutações.

Uma reflexão sobre a Páscoa

Ivan Tadeu Panicio Junior[1]



Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. I Coríntios 5.7



No capítulo 23:58 de Levíticos é descrito que a páscoa era uma das três convocações anuais (páscoa, pentecostes, tabernáculos) em que todos os hebreus tinham de ir a Jerusalém a fim de participar de suas observações. Celebrava-se a saída do Egito e a redenção efetuada com o cordeiro pascal (Êxodo 12:1- 13:10) e portanto se considerava uma das festas mais importantes do calendário hebraico[2].
A páscoa foi originalmente uma festa para aqueles que sairam libertos pela obediência direta a Deus; serviu como a prova dinâmica e final da presença e do cuidado protetor de Deus. Sua celebração continuada por toda a congregação de Israel serviria como memorial para aqueles que foram libertos e sua descendência (Hebreus 11.28).
A festa da páscoa é celebrada no mês de “nisã” (também chamada de “Abibe”, março-abril, no décimo quarto dia), e marca o novo ano, pois sua origem registra o início da nova vida de Israel como povo. É caracterizado pela escolha de um cordeiro que é sacrificado e servido como parte de uma refeição comemorativa maior[3].
Durante os sete dias da festa não se permitia que os israelitas tivessem em casa pão com levedura, indicando assim que a nação redimida não deveria viver em pecado. E juntamente com o cordeiro se comia ervas amargas (Êxodo 12:8) que tradicionalmente tem sido consideradas como uma representação da amargura do tempo de escravidão no Egito. Ervas amargas podem ter sido “dente-de-leão” ou tipo de “raiz-forte”. E concomitantemente, a páscoa era o julgamento dos deuses do Egito e a declaração final do poder de Deus.
Sendo uma festa de esperança e vida, páscoa representa libertação e novos começos; e muitos de seus elementos, são tipo de Cristo, nosso Redentor, o Cordeiros de Deus.
Muitos estudiosos pensam que Jesus substituiu esta festividade pela Santa Ceia (Lucas 22:7-20), sendo Ele próprio a nossa páscoa, “sacrificado por nós” (I Coríntios 5.7). Interessante destacar que Cristo foi crucificado durante a semana de celebração da páscoa (João 13:1), ressuscitou no primeiro dia da semana seguinte.
No entanto, na sociedade presente, parece que o verdadeiro significado pascal se dissolveu. Homens e mulheres, crianças e adultos, se esquecem do verdadeiro propósito. Influenciados por uma filosofia capitalista consumista, mais pensam no coelhinho e no chocolate do que no Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Contrapondo totalmente o ideal pascal, substituem o Cordeiro pelo coelho e as ervas amargas pelo adocicar do chocolate.
Agora, compete a nós resgatar o significado pascal em nossos lares, por mais que essa festa não seja mais uma ordenança no contexto Neotestamentário, usemos da ocasião e agarremos a oportunidade para anunciar que páscoa de verdade só é páscoa com Cristo no coração e que nossas crianças possam crescer sabendo desta verdade. E que muito mais que “ovos de coelho” e chocolate, anelemos que Jesus nos livre do Egito, do pecado e da idolatria, como fizera o Senhor no Êxodo.
Boa Páscoa, com Jesus!



[1] Presbítero da Igreja Evangélica Assembléia de Deus em Curitiba. Bacharel em Teologia pela Faculdade Evangélica do Paraná. Pós-Graduando em Docência do Ensino Religioso pela Faculdade Teológica Batista do Paraná. E-mail: ivantadeupanicio@gmail.com
[2] HOFF, Paul. O Pentateuco. São Paulo: Editora Vida, 2000,p 185.
[3] ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Sagrada Plenitude. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2001.

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