27 de março de 2008

Tem como dar um jeito no jeitinho?


Pb. Ivan Tadeu Panicio Junior


O livro “Dando um jeito no jeitinho – Como ser ético sem deixar de ser brasileiro” de Lourenço Stelio Rega (saiba mais: http://www.etica.pro.br/jeitinho) é muito sugestivo. Este livro faz uma análise do fenômeno do jeitinho que é uma das forças impulsoras do comportamento do brasileiro. Hoje você já foi obrigado a dar um jeitinho nalguma coisa? Como viver neste país e sobreviver ao jeitinho e continuar sendo ético? Esta é a pergunta que este livro procura responder.
O Conteúdo revela uma clara realidade de nossa nação brasileira, a nação do jeitinho, já que é perceptível que em todos os seguimentos esta filosofia tem sido aplicada de uma forma muito intensa e sutil. Esta expressão que a primeiro momento parece engraçada, e é tema de rodinhas de bate papo, tem passado a preocupar a muitos que desejam levar as coisas mais a sério. Como diz o texto, esta filosofia tem se infiltrado em todos os ramos da sociedade de forma a dissolver alguns procedimentos de princípios e valores éticos fundamentais para a bom andamento da nossa nação.
Neste contexto, nos aguça uma pergunta: Como chegamos a este ponto? Podemos segundo o texto destacar alguns fatores que contribuíram significantemente para que este acontecido se torne realidade no presente. Um deles é a inconsistência de nossas leis, que beneficiam a uma minoria em detrimento da grande massa da população, causando revolta nos que estão remando contra a maré do jeitinho. Pessoas se beneficiando de bens e direitos de forma ilegal pela sua elevada posição social, econômica etc.
O fato é que o jeitinho tornou-se parte da sociedade brasileira. E como disse o próprio Rega, houve uma institucionalização do jeito, de tal forma que, quem não o usufrui é tido como desinformado, bobo ou coisas piores. As empresas, comércios, escritórios, autônomos, em fim, uma gama enorme de pessoas se valem deste “beneficio” do jeitinho.
O que vemos hoje em nossos noticiários em relação ao quadro político do Brasil é de certa forma a conseqüência maior de algo que um dia começou com um jeitinho brasileiro e sem perceberem, ou sim, chegou a tamanho escândalo e vergonha.
Agora, algo que deve nos fazer parar para refletir, é se está filosofia do jeitinho já não se instalou de forma absoluta em nosso ciclo pessoal cotidiano e em nossos comportamentos. E mais, se não tem de certa forma desfigurado valores éticos salutares que foram a tempos implantados com tanto esforço pelos antepassados. Creio que precisamos pensar seriamente sobre o assunto, e nos ausentarmos do “beneficio” do jeitinho em favor de uma ética cristã, já que carregamos em nós a marca de Cristo e precisamos mostrar a diferença.
É preciso abandonar os subornos aos guardas de trânsito e policiais rodoviários. É preciso abandonar a ância de furar fila nos bancos, por meio de um amigo que lá já está. É preciso deixar de fugir das responsabilidades familiares, buscando meios paliativos. É preciso não se omitir na hora de prestar o Imposto de Renda. É preciso, é preciso, é preciso...
Em fim, diante de nós mais um grande desafio. Viver a ortopraxia (prática correta) da Palavra de Deus, num mundo que busca a ortodoxia (teoria correta), mas descompromissadamente.

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