11 de abril de 2008

Vida Interior: O inconsciente como caminho para se descobrir!


Baseado no texto “Vida Interior: O Inconsciente enquanto experiência” de Hillman, II – Pg. 39-70, farei alguns apontamentos.
Hillman inicia suas palavras neste capitulo falando sobre o misterioso e pouco conhecido “vácuo”, local onde tradicionalmente se espera realizar o grande encontro entre o homem e Deus, o qual é campo de pesquisa e de muita reflexão tanto para os analistas como teólogos.
O autor declara a complexidade que é, e o grande desafio que todos temos para definir e tentar esclarecer de forma substanciosa o verdadeiro paradeiro da alma e seus por menores. No entanto dá alguns atributos a alma, como: ”ela confere sentido, transforma acontecimentos em experiências, comunica-se pelo amor e tem uma implicação religiosa”. Ele declara que há dois termos usados para defini-la, uma seria a conhecida ALMA, a outro mais moderno, seria PSIQUE.
Vemos em seus escritos ainda uma expressão curiosa que é a ”perda da Alma”, que seria como que perder o sentido da vida, perder seus sonhos, suas forças, sua esperança, perder seu verdadeiro coração, que automaticamente resulta em vários e diversos sintomas psíquicos como fisiológicos, e baseado em uma frase de Jung, concorda que cada um de nós é “o homem moderno em busca da sua alma”.
Hillman faz um paralelo entre o aconselhamento pastoral e o clínico, declarando que em décadas passadas havia um abismo entre as duas ciências, mas que hoje estão se fundindo, pois ambas estão em busca do elo perdido, ou seja, a alma /inconsciente. Algo interessante é a colocação que ele faz de que um dos problemas encontrados pelos religiosos é encontrar a conexão interior com a vocação, e outro desafio é mantê-la viva. Continua dizendo que muitas vezes o ministro busca imitar, e tomar emprestado os métodos de outros que são aparentemente funcionais para preencher a lacuna da vocação pessoal, já que buscar este encontro com seu interior que lhe trará respostas sólidas, exige da pessoa trilhar caminhos que nem sempre são agradáveis e requerem esmero e muitas sinceridade consigo, para vencer um currículo histórico com muitas ocasiões negativas.
O autor então defende a possibilidade de se encontrar a “alma perdida” como as respostas para “as complexidades dos Ministros”, no tão estudado inconsciente. Ele afirma que o inconsciente é a porta pela qual passamos para encontrar a alma. Como também o caminho para encontrarmos muitas das respostas que tanto anelamos obter. Ele discorre informando que inevitavelmente nos defrontaremos com o inconsciente e registra alguns tópicos que provam a existência deste inconsciente. Seriam eles: esquecer e lembrar, hábito, atos falhos, associação de palavras e personalidade múltipla.
Diante deste mundo inconsciente, o autor destaca que por mais que queiramos fugir de nosso inconsciente, mais cedo ou mais tarde nos depararemos com “Mundo de nossas profundezas”, as quais servirão de método de cura. Nestes casos os analistas tentam modificar uma pessoa por seus métodos e a evidência dessa mudança é surpreendentemente semelhante aos métodos da religião. Algo importante a destacar é que os sintomas causados pelas experiências muitas vezes humilham, relativizando o ego, rebaixando-o, e por intermédio deste ocorrido pode-se obter progressos importantíssimos, conquistas valorosas, o encontro com perolas valiosas. Diz o autor: Livrar-se do sintoma significa desperdiçar a chance de conseguir que um dia poderá ter um grande valor, mesmo que de início se apresente sob uma forma insuportável, irritante e como algo baixo, disfarçado”.

Em suma o autor defende a idéia que por meio do inconsciente, também encontrarmos com a alma. Pelo inconsciente emergem configurações e significados que outrora estavam cobertos, onde é possível sentir uma ligação viva com o passado individual, familiar e a do povo. E já que o inconsciente trabalha com as emoções, elas nos levam a experienciar que as coisas teem importância para nós. Ele acaba fazendo uma máxima, declarando que ganha alma ao vivenciar o inconsciente. Que quando acolhemos o inconsciente ganhamos mais pesos em nossas decisões, adquirimos realidade concreta.
Podemos então no exercício da prática, não só analisar, mas entrar no sonho junto com o paciente e sonhar o desenvolvimento de seu mito. A redescoberta da alma está no inconsciente, o que resulta um interesse tanto teológico religioso como psicológico analítico e clínico.

(Análise do Texto para apresentação de trabalho acadêmico - Faculdade Evangelica do Paraná)


Por/ Ivan Tadeu Pancicio Junior

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