28 de agosto de 2008

O PARADOXO DA ENCARNAÇÃO


Que queremos dizer quando afirmamos que Deus se encarnou em Jesus? Em que sentido Jesus foi, simultaneamente, Deus e Homem? Como podia aquela vida única ser completamente humana e completamente divina?


Em certo sentido, o mysterium Christi tem de permanecer sempre mistério. O Arcebispo de Cantuária, William Temple, disse, em uma de suas obras, que “se um homem afirmar que entende a relação da Divindade com a humanidade em Cristo, demonstra simplesmente que não compreende o significado da Encarnação. De fato a Encarnação nos apresenta o paradoxo supremo, e não creio que possamos eliminar esse elemento paradoxal, sem perder, também, a própria Encarnação.


O elemento paradoxal invade todo o pensamento religioso e elaboração teológica, justamente porque Deus não pode ser compreendido por palavras humanas ou através das categorias do pensamento finito. Deus só pode ser conhecido através da comunhão pessoal direta, numa relação Eu-Tu, em que ele se nos dirije e nós lhe respondemos. Deus não pode ser legitimamente “objetivado”.


Ele escapa a todas as nossas palavras e categorias. Não podemos objetivá-lo ou conceituá-lo. Quando tentamos fazê-lo, caímos logo em contradição. Difrata-se o nosso pensamento, dividido em formulações que parecem impossíveis de reconciliação.


Se desejamos alguma Teologia, devemos paga o preço, pois ela sempre será a Teologia do Paradoxo. O preço não é demasiadamente alto, pois devemos teologar, pois o próprio culto é envolver o uso de palavras e pensamentos a respeito de Deus. Falar e pensar em Deus é cair em antinomia (contradição), contradição dialética e paradoxo.

Parece-me que a fé cristã (segundo o autor), ao ser pensada, conceituada e posta em linguagem humana, transforma-se em paradoxo, não só na doutrina da Encarnação, mas em todos os seus pontos vitais. O mistério da Encarnação é o clímax dos demais paradoxos cristãos.

Doutrina da Criação

Poderíamos dizer que, na tarefa de elaborar a religião da Encarnação, a mente humana é levada aos paradoxos da Criação – à doutrina peculiarmente cristã e totalmente paradoxal – onde Deus criou todas as coisas do nada. Deus não criou o mundo da matéria-prima existente, nem o produziu de sua própria substância. Criou todas as coisas do nada. E esta declaração é paradoxal.

Pb. Ivan Tadeu ( Parte de trabalho apresentado na FEPAR)
Postar um comentário