10 de dezembro de 2008

O Homem e o Saber...


saber .... Nosso conhecimento é finito, mas nossa ignorância é infinita..." Karl Popper



Mesmo em meio ao ceticismo, à opressão materialista, à falta de consciência humana e a ignorância frente ao estagio ético e moral, temos que ter a atitude fundamental do homem para com Deus e, com isso, a base antropológica da religião que é a fé. Para o poeta alemão Goethe, "A história é combate entre a fé e a incredulidade".



Para muitos este combate está no fim, julgando que a fé está derrotada e que o discurso sobre a mesma é irrelevante, chegando ao ponto de afirmarem como o filósofo Nietzsche1 que "Deus está morto" (gaia a ciência, seção108).



Contudo, é face a face com essas conclusões cegas que nos deparamos atualmente.
No dintel do templo de Delfos(Grécia) está escrita a frase "conhece-te a ti mesmo", que por mais que pareça se referir a obrigação humana de possuir seu significado, se refere ao fato do homem saber que é homem e não Deus, ou seja reconhece que és homem e tem as fragilidades de homem e também natureza e estado do mesmo, diferente dos deuses.



O que quero salientar é que primeiramente temos a necessidade de nos colocar como conhecedores da nossa verdadeira condição, seja como criaturas, servos e filhos de Deus, e isto é nobre, mas também termos convicção desta condição, ou seja, não somos deuses, mas somos seres capazes de se relacionar com Ele, o verdadeiro Deus, e além disso, estabelecermos amorosamente relações de paternidade e comunhão, afinal somos dentre as criaturas terrestres as únicas que "são e sabem que são", pois, como pode o Homem saber de seus limites, se não discerne algo para além de si mesmo?



Quanto mais o homem conhece a realidade e o mundo, tanto mais se conhece a si mesmo na sua unicidade. O que chega a ser objeto do nosso conhecimento torna-se por isso mesmo parte da


nossa vida, o homem que deseje distinguir-se, no meio da criação inteira, pela sua qualificação deve em primeiro lugar reconhecer-se como criatura e buscar na causa primeira, que é Deus as respostas necessárias para o entendimento de seu real ser.


Assim, responderemos as questões fundamentais que caracterizam o percurso da existência humana: Quem sou eu? Donde venho e para onde vou? Porque existe o mal? O que é que existirá depois desta vida? Pois tais questionamentos têm a sua fonte comum naquela exigência de sentido que, desde sempre, urge no coração do homem, e Igreja não é alheia, nem pode sê-lo, a este caminho, que busca resposta a estas questões, ela fez-se peregrina pelas estradas do mundo, para anunciar que Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6). Dentre os vários serviços que ela deve oferecer à humanidade, há um cuja responsabilidade lhe cabe de modo absolutamente peculiar: é a diaconia da verdade, ciente, todavia de que cada verdade alcançada é apenas mais uma etapa rumo àquela verdade plena que se há de manifestar na última revelação de Deus: Hoje vemos como por um espelho, de maneira confusa, mas então veremos face a face. Hoje conheço de maneira imperfeita, então conhecerei exatamente (1 Cor 13, 12).



1 - Friedrich Nietzsche nasceu numa família luterana em 1844, sendo destinado a ser pastor como seu pai, que morre jovem em 1849 aos 36 anos, junto com seu avô (também pastor luterano). Entretanto, Nietzsche perde a fé durante sua adolescência, e os seus estudos de filologia afastam-no da teologia.


Israel Boniek Gonçalves
Diretor Pedagógico da FAEST
Mestrando em teologia pela EST
Professor da FAEST
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