21 de dezembro de 2009

A SÍNDROME DA RENITE NATALINA



Que é Natal?


Natal, hoje, quase não se define. Tamanha é a multiplicidade de seus conceitos. Da criança ao filósofo. Da certeza à subjetividade.

Que é Natal?

O vigésimo quinto dia do mês de dezembro? A mais brilhante das negras noites? O dia que o peru quis arrancar do calendário? A festa do mais famoso velhinho simpático, barbudo e gorducho? O delírio anual dos comerciantes? A farra dos bebuns? A lenda por trás da fantasia? A fantasia mascarada de realidade?

Nataliquidação!

Que é Natal?

Uma das festas mais importantes do calendário cristão? Um tempo de praticar a solidariedade? Um interlúdio das guerras? Um momento de auto-reflexão? Tempo de viajar e rever amigos? Pausa para ajuntar pedaços da família? Convite para ouvir canções, charangas e sinos? Um convite para visitar a manjedoura? Um retorno no tempo para saudar o menino Jesus?

Nataleluia!

Natal é mais do que uma data. É mais do que um momento. Bem mais do que um tempo. Muito além de uma festa.

Natal é um conceito. Descaracterizado em sua essência; violado em seu objetivo. Olvidado pelos homens de pouca “boa vontade”. Ultrajado pelos homens de muita “boa vontade”. Suspirado pelos homens de vontade alguma.

Natal é nome de capital. Merecia ser o sobrenome do subúrbio; afinal o centro de Belém estava ocupado demais para receber o menino Jesus.

Natal ofusca os olhos das crianças. Devia fazê-los fechar numa prece.

Natal é magia. Bem diferente da crua realidade do estábulo de Belém.

Enquanto o Natal assalta os bolsos dos pais, o “bom” velhinho devolve o troco às crianças – mesmo que em forma de bala.

Ho... ho... ho...

Ou seria:

Cof... cof... cof...

Afinal não bastassem as luzes, as estrelas, os anjos, os sábios, as árvores e os adereços pagãos, até as renas (sim, elas mesmo) já pularam o muro e estão fazendo pose nos jardins de nossas igrejas. E desse jeito, qualquer teólogo apologista acaba ficando espiritualmente alérgico.

A rigor, a rinite é um termo médico que descreve a irritação e inflamação crônica ou aguda da mucosa nasal. Ela é uma doença que pode ser causada tanto por vírus como por bactérias, embora seja manifestada mais frequentemente em decorrência de alergia. A incidência da doença é de 4 em cada 10 pacientes, tanto adultos quanto crianças.

Isso é rinite. E ocorre em qualquer tempo.

Mas Natal, quem diria, é tempo de renite, ou “inflamação das articulações e tendões das renas”. E o pior, quem sofre desse mal não é o bichano que acaba de se instalar no nosso meio, mas que autorizou sua temporada no átrio sagrado.

Curioso é que o “espírito do Natal” é tão violento que a gente quase acredita que um senhor pesado com um saco literalmente cheio consegue ser transportado por renas voadoras que tem chifres e não asas!

É a síndrome da renite natalina!

Que o sangue do cordeiro nascido na Palestina e não nas terras longínquas do senhor Noel nos cure desta moléstia.

Pelo andar da carruagem dos caribus chifrudos, já é possível ouvir a oração: Pai, nós te agradecemos pelo Papai Noel nosso desse dia!

Xô renite!

Fonte: http://www.neirmoreira.com/ -
Pb. Neir Moreira - Graduado em Teologia, Graduado em Psicologia, Pós-Graduado em Docência do Ensino Religioso, Escritor, Professor e Pregador.
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