11 de julho de 2011

ARTIGO - A tipologia do Caís e a semelhança com o Obreiro

Por Ivan Tadeu Panicio Junior

Você já parou para apreciar a imagem de um caís? - Uma estrutura de auxílio aos marinheiros, de suporte aos barcos e navios em regiões a beira de águas, com aparatos para se atracar ou aportar a fim de carregar ou descarregar cargas, desembarcar ou embarcar pessoas, incluindo atracadouros com cordas e as vezes com armazéns ou depósitos conjugados. Normalmente são construídos em um nível mais alto, com calçadas recobertas de pedras ao longo de um rio ou canal, avenidas que passam a beira de braços de mares, como os “quais” em Paris ou Caís de Santa Rita.
Um aspecto importante do caís, é que ele normalmente é edificado sobre um enrrocamento, que nada mais é que um maciço composto por blocos de rochas compactadas no fundo das águas, servindo como proteção contra a erosão provocada pelas ondas formadas por tempestades.
Mas num segundo momento, destaca-se a paisagem ao redor, como belas embarcações atracadas, o verde ou azul das águas do mar, o céu anil esculpido a mão, as gaivotas a voar desenhando detalhes no horizonte, pessoas a trabalhar e alguns poucos aparatos de amparo as embarcações que deixam sem dúvida, uma cena típica de cinema.
Numa perspectiva interpretativa direta e analise objetiva nos envolvemos com as descrições em tê-la, o que nos faz encher os olhos e até a imaginação. Mas a tal paisagem tem muito mais a nos revelar. Tem muito mais a nos ensinar. Pode nos transportar a sabedorias maiores, a conhecimentos mais nobres, a aprendizados refinados e sólidos se enxergarmos além do literal. Podemos tirar ricas lições para nossa vida cristã, para a carreira ministerial, para nossas famílias e tantas quantos imaginarmos. Veremos no entanto, algumas semelhanças do caís e de um genuíno obreiro de Deus, através de uma dinâmica alegórica do caís.
Primeiro, o obreiro precisa ser resiliente como o caís.  Uma das utilidades do cais é suportar o impacto das ondas, impedindo-as de invadir as edificações a beira das águas. O enrrocamento firmado em rochas é responsável por sustentar o caís em pé. E graças ao caís, as edificações permanecem, e não são sucumbidas pelas ondas do mar ou rios em tempos de tempestades.
Os obreiros do Senhor precisam estar fortalecidos no Senhor e firmados na rocha que é Jesus, não em suas próprias forças ou condições. Os pastores precisam de obreiros fortes para lhe ajudarem nos embates do ministério. Obreiros dispostos a sofrer se preciso, para que as ondas tempestuosas da carreira ministerial, não alcancem seu líder espiritual. Obreiros que não estão dispostos a suportar as agruras ministeriais, não estão preparados para a obra de Cristo. Obreiros Caís, sabem suportar e sofrer, a fim de que seu líder e sua igreja não sofram.
Poderíamos ainda ressaltar a figura do pneu, que amortece e ameniza o impacto dos navios e barcos com o caís. Ou ainda, a figura dos mariscos, que semelhantemente amenizam o impacto das ondas no caís. Sendo assim, percebemos que o caí, firmado no enrrocamento, exerce um papel interessante e revela grande resiliência (capacidade de resistir a forte choques e retornar ao estado normal).
Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação é; ou, se somos consolados, para vossa consolação e salvação é, a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos;2 Coríntios 1:6
Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus.1 Pedro 2:20
Segundo, o obreiro precisa estar num nível acima, como o caís.  Uma característica interessante do caís, é que ele sempre está acima do nível das águas, e por isso não é submergido por elas. Estar numa linha retilínea, neste caso, seria fatal. E se o caís não cumprir com seu papel, os armazéns a beira das águas, são tragicamente atingidos resultando em perdas irreparáveis .
O obreiro do Senhor precisa manter uma disciplina cristã acima da média. Deve buscar mais a Deus que os demais. Deve se alimentar da Palavra mais que a maioria. Deve ter comunhão intima e intensa com Deus a fim de exercer seu ministério de maneira profícua. Caso contrário, a igreja será sucumbida pelas ondas desta vida. O obreiro do Senhor, é um caís de proteção, um porto seguro, é o espelho das ovelhas do Senhor.
Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.2 Timóteo 2:15
Terceiro, o obreiro precisa ser um atracadouro seguro, como o caís.  Outra característica interessante do caís, é que ele viabiliza aos barcos e navios aportarem com segurança, e desenvolverem suas atividades. Cargas são carregadas e descarregadas com tranqüilidade, porque o caís gera segurança para os que ali estão trabalhando.
Semelhantemente, o obreiro do Senhor precisa gerar segurança as ovelhas. Seus filhos na fé precisam se sentir seguros e livres para trabalhar no reino. Sua Palavra deve produzir paz e segurança nos corações. Suas atitudes devem produzir um ambiente de amizade e cumplicidade, dando a ovelha tranqüilidade para compartilhar suas necessidades mais pessoais sem o medo de serem expostas a vergonha. Obreiros caís, produzem segurança, paz e crescimento ao reino.
Resta, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor. Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós.Filipenses 3:1
Não temas, pois, tu, ó meu servo Jacó, diz o SENHOR, nem te espantes, ó Israel; porque eis que te livrarei de terras de longe, e à tua descendência da terra do seu cativeiro; e Jacó voltará, e descansará, e ficará em sossego, e não haverá quem o atemorize.Jeremias 30:10
Quarto, o obreiro precisa estar pronto para receber e entregar, como o caís.  Por mais instruído que seja o obreiro, ele sempre terá algo a aprender. E por mais simples que seja, sempre terá algo a ensinar. Saber receber e saber dar é uma das grandes virtudes de um genuíno obreiro. Muitos depois de anos de ministério não sentam-se mais para aprender, e o resultado é que começam a retroceder. Existe uma grande verdade no processo pedagógico, aprender é obter novos ensinamentos como ratificar os antigos. Quando deixamos de adquirir conhecimento, também deixamos de reter o que temos. O obreiro genuíno sabe receber e compartilhar o que sabe.  
Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.1 Pedro 4:10
Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus.1 Coríntios 4:1
Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei:;1 Coríntios 11:23a

Quinta, o obreiro precisa saber seu papel e seu limite, como o caís. O caís permanece inerte. Ele é referencial de segurança e por isso precisa permanecer onde está. Imagina se todas as vezes que um navio posse aportar, tivesse que procurar o caís. Seria tempo perdido, trabalho dobrado e confusão para os marinheiros.
Veremos a seguir, as características do obreiro Caís, do Obreiro Navio e a importância do trabalho em conjunto.
1)      O Obreiro Caís possui uma missão local muitos foram chamados para permanecer num mesmo local, na mesma igreja, na mesma cidade, etc. O obreiro caís precisa ficar onde foi colocado. Precisa ter lugar certo onde pode ser achado. O pastor de ovelhas não pode se ausentar do aprisco, pois caso alguma ovelha tenha alguma necessidade, onde o encontrará. Tenho aprendido que alguns mudam-se, deslocam-se, são transferidos, mas outros foram chamados para permanecer, criar raízes no mesmo lugar, cultivar uma mesma terra, dar fruto ali, ainda que aparentemente leve um bom tempo. Enquanto outros possuem a missão de ir, o obreiro caís tem a missão de ficar. Enquanto outros desejam sair, o obreiro caís deseja ficar. Enquanto outros olham para longe, o obreiro caís para onde está.  E se o Senhor chamou um obreiro para ficar, ele dará o crescimento, o sustento, a alegria e a paz de espírito necessária.
2)      O Obreiro Navio possui missão variávelenquanto muitos ficam, o obreiro navio vai. Enquanto muito firmam raízes, o obreiro navio mantém a mala pronta. Enquanto muitos olham dentro, o obreiro navio olha fora. Ele leva a palavra, e trás os resultados. Ele leva saudades e trás a felicidade. Ele leva o que aprendeu e trás o que aprendeu. Ele leva o suprimento espiritual e recebe o suprimento material. Ele tem uma missão que exige deslocamento, existe desprendimento, exige renuncia. São chamados de missionários ou itinerantes, por mais que possuam uma supervisão direta e mantidos pela igreja, sua vida é baseada em João 3.8, são como vento que sabem de onde vem, mas não sabem para onde vão.

3)      A relevância do elo entre o Obreiro Caís e o Obreiro Navio Deus em sua sabedoria designou obreiros para cada função. Existem os que ficam e os que vão. Um não é maior, nem melhor que o outro, mas ambos se complementam. Como ficariam os navios se não houvesse o caís. E para que serviria o caís se não houvesse os navios. O obreiro caís fica, angaria recursos, fortalece a igreja, fornece segurança para então enviar o obreiro navio, suprido, assistido, e certo que ao retornar, encontrará um lugar certo para aportar. 

Que o Senhor nos ajude a entender nossa chamada, nos capacite a cumpri-la, sem desprezar os que possuem papeis diferente e aos mesmo tempo complementares. Seja Caís ou Navio, faça sempre o melhor, certo de que no Senhor nossa obra não é vã.

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