19 de março de 2013

Família Terapêutica


A família foi constituída para proteger seus membros, oferecendo conforto, acolhimento e bem estar necessário para desfrutar de uma vida pujante e triunfante. O ambiente familiar deve ser por natureza um ambiente saudável que promova a qualidade de vida. Veremos alguns pilares para alcançarmos tal objetivo.


Uma família terapêutica tem o amor como base de tudo No capítulo 13 de Coríntios, o Apóstolo Paulo anuncia a superioridade do amor. Numa olimpíada entre a fé, esperança e o amor, o amor mostrou-se superior. A família que consegue implantar o amor como lei suprema de convivência entre seus membros, terá bons resultados, desfrutando do mais alto nível de maturidade e frutos de excelência. Mas acima de tudo, terá solidez em tempos hostis e truculentos obtendo segurança e proteção para seus membros.

Uma família terapêutica sabe a importância do perdão - o ser humano tem a tendência de tentar provar sua perfeição. Uma mente perfeccionista não admite erros pessoais e alheios, pois diante da menor fagulha de imperfeição lança sobre si, profunda carga de culpa, cobrança e remorso pelo resultado não alcançado. A solução para esta conduta doentia é primeiramente aceitar que somos seres inacabados rumo a um estado de perfeição. E segundo, que neste itinerário terreno teremos que conviver com seres imperfeitos e o melhor remédio é desfrutar do perdão bilateral. O perdão é sinônimo da segunda chance; é a possibilidade de recomeçar; é a capacidade de seguir adiante sem olhar para trás; é liberar o outro da duplicata que nos devia; é a maior expressão da compreensão da graça de Jesus Cristo. A família terapêutica não se alimenta de acusações, de críticas, de justiças humanas ou desprezo e indiferença, mas consciente de seu papel curador, lança mão do bálsamo do perdão, em busca de estancar os amargores da rejeição e feridas do ódio.




Uma família terapêutica investe o que tem de melhor em seus membros - num mundo materialista, de mente capitalista, de comportamentos egoístas e condutas de indiferença sentimental, onde homens amam coisas e usam pessoas, o investimento é monitorado por estatísticas financeiras e de rentabilidade seguras e jamais, em solos duvidosos. Mas me pergunto, existe um solo mais duvidoso que o ser humano? Só uma família terapêutica esta disposta a correr o risco de perder para tentar ganhar. Está disposta a doar sem receber em troca, abrir-se para receber amor ou rejeição, investir seus melhores recursos com a consciência de que possui um grande tesouro criado por Deus nomeado família.


Uma família terapêutica procura o bem comum, fugindo do egoísmo- num mundo capitalista selvagem e esportista, a competição nasce de forma intrínseca em nossas crianças e brota facilmente em corações mais maduros. A busca da realização pessoal tem levado muitos a prejudicar e até matar seu próximo. A família terapêutica não pensa no eu, mas no nós. Não é excludente, mas inclusiva. Não aceita o individualismo, mas respeita a individualidade. Consciente das diferenças individuais de cada ser, procura prover de maneira justa e equilibrada as necessidades de todos. Deus através do Apóstolo Paulo, em sua missiva a Roma, deixa claro esta verdade quando afirma que “...para com Deus, não há acepção de pessoas” (Rm 2.11).


Uma família terapêutica não faz provisão para o pecado – aqueles que desejam alcançar a cura para vossas almas não podem permanecer na prática do pecado. E uma família sadia, não consente, não se omite nem se acovarda diante da possibilidade de santificar seus membros (Hb 12.5-10). Muitos pais pensam que ao dizer sempre sim, estarão ajudando seus filhos, mas estão errados. O pai que ama seu filho o corrige (Pv 3.12). Quem ama educa (Pv 22.6). Quem ama corre o risco de ser mal compreendido a fim de ajudar. A correção é dolorida, mas é curadora (Hb 12.11).


Uma família terapêutica é conduzida pelo Espírito Santo a intervenção do Espírito Santo é indispensável no fortalecimento das famílias cambaleantes. Nossa luta não é contra carne ou sangue, mas contra principados e potestades (Ef 6.12). E é o Espírito que nos assiste em nossas necessidades, intercede por nós e nos reveste de autoridade para vencermos as batalhas contra o reino das trevas. Nós recebemos o Espírito (Gl 3.2), nascemos do Espírito (Gl 4.29), andamos no Espírito (Gl 5.16), produzimos frutos do Espírito (Gl 5. 22,23), vivemos no Espírito (Gl 5.25). Famílias terapêuticas são aquelas que seus membros são agentes inspirados para realizar a cura, repelindo os espíritos de morte e profetizando vida.


Uma família terapêutica trata com sensibilidade os que tropeçam - o apóstolo ordena: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura” (Tg 5.19). Precisamos lidar com tato, cuidado, amor e misericórdia para com os que foram alvejados pelo pecado e surpreendidos pela fraqueza. A brandura aplaca a ira. O amor supera o ódio. A misericórdia revigora a alma abatida. Ao invés de expormos os ferimentos, temos a missão de sará-los em amor. Sabendo que toda disciplina visa à restauração do caído não sua destruição (Tg 5.20). 


Uma família terapêutica mantém-se vigilante para não cair em tentação quem está em pé, cuide para que não caia (I Co 10.12). Devemos cuidar para não cairmos nas mesmas tentações e pecados que nos rodeiam. A presunção e a arrogância são atitudes perigosas e adoecem o coração. Temos a tendência de projetar nossas falhas nos outros e acharmos que somos intocáveis. Uma família terapêutica valoriza cada membro, cada momento, cada dia em comunhão, sem nunca descuidar do perigo eminente que nos ronda.


Deus que fundou a família, constituiu o casamento e sabe da importância dos mesmos para a sociedade e igreja. A família deve ser a coluna, o baluarte, o porto seguro de seus membros, o socorro presente, a porta aberta de saída, o braço forte de abrigo, a brisa de consolo e o refúgio para a alma ferida e cansada. Como família, precisamos investir o que temos de melhor, para que nossos pares não sofram, pois amar a família é também expressão de fé em amor (I Tm 5.8).


Créditos: Ivan Tadeu Panicio Junior - Mestrando em Teologia, Pós-graduado em Docência do Ensino Superior, Pós-graduado em Aconselhamento Pastoral, Graduado em Teologia, Docente em Instituições de Ensino Superior, Ministro pela CIEADEP, Pastor de Jovens da AD Curitiba e Diretor da Faculdade Crista de Curitiba.
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